Primavera

Primavera
Primavera de Botticelli (imagem da Google)

ADÁGIO


Tão curta a vida e tão comprido o tempo!...
Feliz quem o não sente.
Quem respira tão fundo
O ar do mundo,
Que vive em cada instante eternamente.

Miguel Torga































segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é celebrado no dia 8 de Março por grupos de mulheres em todo mundo em homenagem àquelas que, desde sempre, lutaram e morreram pela igualdade de direitos e pela sua dignidade enquanto pessoa. É uma data também celebrada pela ONU e, em numerosos países, uma festa nacional.
Quando as mulheres de todos os continentes, muitas vezes separadas por fronteiras e por diferenças étnicas, linguísticas, culturais, económicas e políticas, se reúnem para celebrar o seu Dia, elas podem ver, se olharem para trás, que se trata de uma tradição com mais de 90 anos de luta pela igualdade, a justiça, a paz e o desenvolvimento.
Aqui, hoje, quisemos suscitar a reflexão sobre a condição feminina neste início de século e lembrar que a sociedade é feita de homens e de mulheres e que ambos os géneros se complementam em todos os momentos das suas vidas; lembrar, ainda, que a luta das mulheres não é contra os homens; é para o reconhecimento da pessoa sensível e digna de respeito que é a mulher enquanto ser humano, com direitos iguais por ser tão indispensável quanto o homem neste mundo.
O ideal seria que deixasse de existir este Dia e que o respeito seja uma evidência e os maus tratos uma excepção. Só, nessa altura, poderemos falar em harmonia e igualdade.
Finalmente, em nome da Escola, gostaria de agradecer a presença de todos e, em especial, às nossas convidadas, Senhora Tenente-Coronel Anabela Varela, Drª. Ana Paula Costa – assessora do Governador Civil-, Drª. Manuela Mendonça – dirigente do sindicato FENPROF-, Drª. Maria Luísa Gonçalves – artista plástica-, que tão gentilmente acederam ao nosso convite para estarem aqui connosco, a fim de dar o seu testemunho.
Uma palavra de agradecimento, ainda, à Fundação Cupertino de Miranda que tem sido nossa parceira na cedência do auditório para a realização dos diversos eventos que a Escola Camilo Castelo Branco tem desenvolvido ao longo deste ano lectivo.

sábado, 6 de março de 2010

O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.


Ary dos Santos, in 'Resumo'

sexta-feira, 5 de março de 2010

Escrever é procurar corresponder


Escrever é procurar corresponder

Ainda que não se saiba a quê ou se esse quê existe


A nossa liberdade nasce de uma incerteza radical

E a sua metamorfose é a invenção de um espaço

De correspondências que visam uma esfera inviolável

António Ramos Rosa

Diana Krall

Diana Krall

Diana Krall

Diana Krall

Fly me to the moon

Fly me to the moon

Fly me to the moon

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vozes...

A Torpe Sociedade onde Nasci

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.

II

Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!

V

Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."