O Dia Internacional da Mulher é celebrado no dia 8 de Março por grupos de mulheres em todo mundo em homenagem àquelas que, desde sempre, lutaram e morreram pela igualdade de direitos e pela sua dignidade enquanto pessoa. É uma data também celebrada pela ONU e, em numerosos países, uma festa nacional.
Quando as mulheres de todos os continentes, muitas vezes separadas por fronteiras e por diferenças étnicas, linguísticas, culturais, económicas e políticas, se reúnem para celebrar o seu Dia, elas podem ver, se olharem para trás, que se trata de uma tradição com mais de 90 anos de luta pela igualdade, a justiça, a paz e o desenvolvimento.
Aqui, hoje, quisemos suscitar a reflexão sobre a condição feminina neste início de século e lembrar que a sociedade é feita de homens e de mulheres e que ambos os géneros se complementam em todos os momentos das suas vidas; lembrar, ainda, que a luta das mulheres não é contra os homens; é para o reconhecimento da pessoa sensível e digna de respeito que é a mulher enquanto ser humano, com direitos iguais por ser tão indispensável quanto o homem neste mundo.
O ideal seria que deixasse de existir este Dia e que o respeito seja uma evidência e os maus tratos uma excepção. Só, nessa altura, poderemos falar em harmonia e igualdade.
Finalmente, em nome da Escola, gostaria de agradecer a presença de todos e, em especial, às nossas convidadas, Senhora Tenente-Coronel Anabela Varela, Drª. Ana Paula Costa – assessora do Governador Civil-, Drª. Manuela Mendonça – dirigente do sindicato FENPROF-, Drª. Maria Luísa Gonçalves – artista plástica-, que tão gentilmente acederam ao nosso convite para estarem aqui connosco, a fim de dar o seu testemunho.
Uma palavra de agradecimento, ainda, à Fundação Cupertino de Miranda que tem sido nossa parceira na cedência do auditório para a realização dos diversos eventos que a Escola Camilo Castelo Branco tem desenvolvido ao longo deste ano lectivo.
Primavera
Primavera de Botticelli (imagem da Google)
ADÁGIO
Tão curta a vida e tão comprido o tempo!...
Feliz quem o não sente.
Quem respira tão fundo
O ar do mundo,
Que vive em cada instante eternamente.
Miguel Torga
segunda-feira, 8 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
O Poema Original
Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.
Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.
Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.
Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.
Ary dos Santos, in 'Resumo'
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.
Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.
Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.
Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.
Ary dos Santos, in 'Resumo'
sexta-feira, 5 de março de 2010
Escrever é procurar corresponder
Escrever é procurar corresponder
Ainda que não se saiba a quê ou se esse quê existe
A nossa liberdade nasce de uma incerteza radical
E a sua metamorfose é a invenção de um espaço
De correspondências que visam uma esfera inviolável
António Ramos Rosa
quarta-feira, 3 de março de 2010
A Torpe Sociedade onde Nasci
I
Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.
II
Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!
III
Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...
IV
E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!
V
Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.
II
Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!
III
Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...
IV
E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!
V
Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
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